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Dez acusações de Paul Washer contra a igreja moderna (Parte Final)

Por: Presb. JOSÉ MÁRIO DA SILVA

     Ao retomarmos o assunto sobre o qual discorremos na semana passada, cientificamos aos irmãos que a pregação integral de Paul Washer contra os descaminhos vivenciados pela evangélica moderna pode ser encontrada no youtube. A sexta acusação envolve uma conceituação falsa a respeito do que verdadeiramente vem a ser a igreja de Jesus Cristo, e qual o cerne da sua missão na terra.
A igreja é o corpo místico de Jesus Cristo, a reunião dos santos, de todas as pessoas que experimentaram o milagre do novo nascimento. Essa igreja, triunfante e sofredora em sua peregrinação terrena, jamais dará ouvidos aos falsos mestres; pode até ser negativamente impactada pelo fascínio exercido pelos obreiros espúrios, mas, ao fim e ao cabo, o que nela prevalece é o selo do Espírito Santo, que é o penhor da nossa herança, e a antecipada garantia de que nós somos uma propriedade definitiva do Senhor, não podendo, nada nem ninguém, nos separar do amor de Deus está em Cristo Jesus, o nosso Senhor.
A igreja de Jesus Cristo, como pontuava Martinho Lutero, é constituída por pessoas que são simultaneamente justas e pecadoras. Justas, por terem recebido, por imputação, a perfeita justiça de Jesus Cristo. Pecadoras, porque ainda pecam, não tendo sido extirpada das suas naturezas, de forma definitiva, a raiz corrupta que as impele à prática do que é desconforme com a lei de Deus. Igreja não é clube social, por isso não lhe fica bem a ideia de show, por muitos, equivocadamente, defendida. De igual modo, o púlpito não é um picadeiro, no qual palhaços entretêm bodes ávidos por frivolidade e entretenimento, mas sim uma tribuna onde profetas, fiéis ás Escrituras Sagradas, entregam todo o conselho de Deus para a salvação e edificação das ovelhas do Senhor.
Quando a igreja perde essas credenciais, desfigura-se, descumpre o seu papel de luz do mundo e sal da terra, para nada mais prestando, senão para ser pisoteada pela impiedade dos homens. Voltemos, pois, ao ser/fazer de uma igreja que vive por meio de Jesus Cristo; e que age de conformidade com a sua Palavra.
A sétima acusação endereçada por Paul Washer contra a igreja moderna ancora no porto da constatação da falta de uma disciplina eclesiástica amorosa e compassiva. Por ocasião do grande movimento de renovação espiritual havido no século dezesseis, reformadores e romanistas travaram, dentre outras, uma discussão voltada para a identificação daquelas que se constituiriam nas marcas de uma verdadeira igreja.
Calvino e Lutero, por exemplo, sustentavam a tese de que as duas marcas mais efetivamente caracterizadoras de uma igreja genuinamente cristã eram a pregação fiel das Escrituras Sagradas, e a administração correta dos sacramentos ordenados pelo Senhor Jesus Cristo: a ceia memorial da nova aliança e o batismo. No bojo dessas discussões, entenderam os reformadores ser a disciplina eclesiástica uma marca igualmente sinalizadora de uma igreja harmonizada com a Palavra de Deus.
Claramente recomendada pelas Escrituras Sagradas, a disciplina eclesiástica aplicada a um membro faltoso, quando acompanhada com os indispensáveis ingredientes da biblicidade, do amor e da compassividade, demonstra zelo tanto pela indisputável glória de Deus, de um lado, quanto pelo bem-estar espiritual do crente infrator, por outro. Ela salvaguarda a glória de Deus, ao demonstrar que leva a sério a sua santidade, e os seus mandamentos, que requerem dos crentes uma vida consonante com os padrões escriturísticos. E, de igual modo, mostra-se cuidadosa com a realidade espiritual do crente, no instante exato em que, constatando o seu desvio comportamental, disciplina-o, exorta-o, acompanha-o, com o indesviável fito, não de execrá-lo ou bani-lo do convívio com os santos, mas sim de conduzi-lo ao arrependimento, à confissão do pecado cometido, ao seu conseqüente abandono e, por fim, à restauração espiritual, e retorno ao convívio desimpedido com os irmãos na vida ordinária da igreja.
A exclusão de um membro do rol regular da igreja somente se materializa quando, confrontado com o seu pecado e admoestado a abandoná-lo e buscar os meios bíblicos de restauração, ele resiste, mantém-se empedernido, e não emite nenhum sinal de arrependimento, contrição, e desejo de mudança de vida. Quando a igreja não disciplina, ela transmite uma clara mensagem: a santidade de Deus não é importante; o pecado não exibe gravidade alguma; e cada crente tem o lídimo direito de viver da forma como melhor lhe convier. Por outro lado, aos que exercem a função de disciplinar os transgressores no âmbito da igreja, cabe uma séria advertência. A disciplina não pode ser instrumento de revanchismo, arrogância ou demonstração de superioridade, mas sim de zelo santo, firmeza amorosa, e lamentação sincera pela falta perpetrada, sinais autenticadores de uma igreja que compreende a sua dimensão comunitária, realidade indeslindavelmente corporal, assembléia dos santos do Senhor.
Em suma: uma igreja que não exerce a disciplina eclesiástica, peca, e, por isso, expõe-se ao justo juízo de Deus. Voltemos, pois, a ser uma igreja que ama a disciplina do Senhor, por entender que ela somente é destinada, em sua essência, a quem verdadeiramente é filho de Deus.
A oitava acusação diz respeito à conformação, cada vez mais crescente, da igreja, aos mundanos paradigmas comportamentais adotados por um mundo regido por (anti)valores completamente contrários à Palavra de Deus. Tal matéria, reconheçamos, tem seus percalços e requer uma abordagem cuidadosa.
O cristão não é um eremita, chamado para viver de modo guetificado, num isolacionismo sócio-cultural autossuficiente, revivescencência do monasticismo da medievalidade, para quem somente longe de todo convívio humano pode o servo de Deus viver santamente. Não visualizamos chancela bíblica para essa postura, nem é nesse patamar que radica a advertência de Paul Washer. O ponto é bem outro, e diz respeito ao fato de a igreja estar, dia após dia, perdendo os seus referenciais absolutos, e passando a viver de uma forma cada vez menos santa. Cada dia mais avulta, no evangelicalismo moderno, o cultivo de um cristianismo estranho, subjetivista, transformado em religiosidade meramente privada, sem nenhuma implicação coletiva mais profunda.
Vejamos, como emblemático exemplo, o caso do Brasil. Estatísticas recentes revelam o extraordinário crescimento numérico de evangélicos em nosso país, mas isso não tem se traduzido em nenhuma espécie de melhoria das nossas condições sócio-econômico-político-culturais. Pelo contrário, os flagelos continuam os mesmos; a injustiça social continua a mesma; a corrupção política continua a mesma; enfim, o avassalador crescimento do evangelicalismo nacional pouco proveito tem trazido ao país. Falta-nos uma fé cristã vigorosa, santa, visceralmente comprometida com o senhorio de Jesus Cristo; vivenciada como uma cosmovisão capaz de afetar todas as áreas da nossa vida. Em suma: sem separação do mundo, no sentido de uma não compactuação com o seu modo ímpio de viver, a igreja deixa de influenciar, e passa, tristemente, a ser influenciada por um mundo caído e inimigo de Deus, para cujo interior a igreja, maior agência do reino de Deus na terra, foi chamada. Voltemos, pois, a ser uma igreja santa, que salga, ilumina, e, de fato, é instrumento de Deus para a transformação de um mundo perdido e tremendamente carente do amor de Deus.
A oitava acusação de Paul Washer assinala a substituição das Escrituras Sagradas pela Psicologia e Sociologia, sobretudo quando a matéria em foco relaciona-se à vida familiar. O ponto aqui é facilmente identificável: a minimização da suficiência das Escrituras Sagradas. Com exceção dos redutos teológicos liberais, assumidamente relativizadores do caráter sobrenatural da Bíblia Sagrada, quase todo o evangelicalismo crê que a Bíblia é inspirada, inerrante e infalível. Esse parece ser um ponto consensual. No entanto, a grande batalha a ser travada hoje em dia é a que incide sobre a suficiência das Escrituras. Suficiência essa que deveria ser uma desembocadura natural dos atributos da inspiração plenária, inerrância e infalibilidade. Deveria, mas não é.
Na prática, a Escritura Sagrada hoje, em muitas comunidades ditas cristãs, é suplementada pela Psicologia, Sociologia, e outros saberes aos quais se tem dado elevado crédito. Muitos segmentos ditos cristãos, em nome de uma busca por suposta relevância, como se a revelância da igreja não estivesse chancelada pelos parâmetros da Palavra de Deus, têm valorizado mais o discurso humanista de pensadores não-cristãos, do que a inspirada palavra dos escritores sacros.
Tal procedimento torna a igreja, não a genuína igreja de Cristo Jesus, mais agradável aos olhos do mundo, mas, certamente, reprovada por Deus. Várias são as áreas da vida da igreja em que a Psicologia e a Sociologia têm dado os seus pitacos: crescimento de igreja, aconselhamento familiar, dentre outros. Voltemos, pois, a ser uma igreja que vive na Palavra de Deus, pela Palavra de Deus, dela não se afastando nem para a direita, nem para a esquerda.
Deus nunca exige que sejamos exitosos nas coisas que fazemos, mas sim que sejamos fiéis às Escrituras Sagradas. A décima e última acusação levada a cabo por Paul Washer contra os desvios da igreja moderna diz respeito à existência, lamentavelmente, de pastores despreparados, intelectual e teologicamente, desnutridos no tocante à sã doutrina, desaparelhados no manejo da Palavra do Senhor, completamente incapacitados, enfim, para o bom desempenho do ofício sublime de pastorear as ovelhas que o Pai elegeu antes da fundação do mundo; que o Filho redimiu na cruz do calvário; e que o Espírito Santo regenera, pela instrumentalidade da pregação do evangelho.
Nos Estados Unidos, dizem, há um ditado que reza o seguinte: queres ganhar um milhão, então funda uma religião. Esse ditado ajusta-se à maravilha à realidade brasileira. Aqui, com uma facilidade incrível, qualquer pessoa, de uma hora para outra, abre uma igreja da forma mais descriteriosa possível. Nelas, líderes inaptos, e muitas vezes movidos apenas por inconfessáveis interesses financeiros, abrem as Escrituras Sagradas, irresponsavelmente, e impõem às pessoas as suas bizarrrices interpretativas, claramente divorciadas das verdades reveladas por Deus em sua Palavra.
Em suma: pastores mal nutridos pela Palavra de Deus constituem-se em graves ameaças à integridade doutrinária da igreja, sem a qual ela debilita-se, restando sobremaneira comprometida a sua identidade e missão no seio da sociedade. Na conjuntura atualmente vivenciada pelo evangelicalismo em várias partes do mundo, no Brasil com especialidade, a palavra desafiadora, e contundentemente corajosa de Paul Washer, deve ser acolhida por todos nós, que amamos a Deus, a sua igreja, e a sua Palavra, como o soar de um alerta, um despertamento sério, urgente e necessário. De igual modo, como mais uma demonstração de que o nosso Deus nunca ficou sem testemunhas fiéis, ao longo da sofredora e triunfante caminhada do seu povo; antes, por sua graciosa providência, sempre preserva, como o fez nos conturbados tempos do profeta Elias, os sete mil que jamais curvarão os seus joelhos diante do idolátrico e corrupto altar dos baals contemporâneos. Sete mil que são o símbolo da igreja fiel do Senhor.
Que o Senhor nos conceda a graça de continuarmos ouvindo o que o Espírito diz à igreja, por meio da instrumentalidade da pregação fiel do evangelho, mais excelente e indisputável meio de graça. E que, assim procedendo, prossigamos em nossa gloriosa marcha de “coluna e baluarte da verdade”. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.

 
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